Para trocar tomada simples por dupla, o eletricista monta dois módulos no mesmo suporte, liga fase, neutro e terra nos dois e fecha a placa; o que decide se vale a pena é a carga do circuito, não o encaixe. A tomada dupla oferece mais pontos, mas puxa do mesmo fio e do mesmo disjuntor que a simples. Trocar o benjamim por uma sobrecarga fixa é o risco a evitar.
Antes da peça: entenda o que a tomada dupla muda
Uma tomada dupla é um suporte com dois módulos de tomada lado a lado, sob uma placa só. Cada módulo tem a capacidade da própria tomada (10 A ou 20 A, conforme o modelo), mas o circuito que chega ali continua sendo o mesmo. Se antes o fio alimentava um aparelho, agora ele alimenta dois, e é a soma dos dois que precisa caber no fio e no disjuntor.
Por isso a pergunta certa não é como instalar tomada dupla, e sim se aquele circuito aguenta o que você pretende ligar nela.
Cálculo de carga: some antes de ligar
A conta é a de sempre na elétrica: corrente = potência ÷ tensão. Ache a potência na etiqueta de cada aparelho (em watts) e some o que será usado ao mesmo tempo.
| Referência | Tensão | Potência aproximada que cabe na corrente |
|---|---|---|
| Tomada de 10 A | 127 V | cerca de 1.270 W |
| Tomada de 10 A | 220 V | cerca de 2.200 W |
| Tomada de 20 A | 127 V | cerca de 2.540 W |
| Tomada de 20 A | 220 V | cerca de 4.400 W |
Nos circuitos de tomadas de uso geral, a bitola e o disjuntor definem o limite do conjunto. A tomada é só o ponto final. Descubra o valor do disjuntor que protege aquele circuito (está escrito na alavanca) e faça a conta com ele: a soma dos aparelhos ligados ao mesmo tempo não deve passar da corrente do disjuntor multiplicada pela tensão.
Exemplo para ler a conta: um disjuntor de 20 A em 127 V suporta cerca de 2.540 W no circuito inteiro. Um micro-ondas e um forno elétrico de bancada ligados ao mesmo tempo somam, em geral, mais que isso, e também dividem esse circuito com todas as outras tomadas ligadas a ele. As potências variam por modelo: use sempre a etiqueta do seu aparelho.
Ponte com cabinho ou borne duplo
Para alimentar o segundo módulo, existem duas formas de fazer a ligação:
| Método | Como funciona | Cuidado |
|---|---|---|
| Ponte com cabinho | Um pedaço curto de cabo liga o terminal do primeiro módulo ao do segundo | Exige cabo de bitola adequada e terminal bem apertado |
| Borne duplo | O módulo tem dois furos por terminal, entra o fio de chegada e o de saída | O módulo precisa ser próprio para isso e o aperto deve ser conferido |
A ponte por cabinho é a mais comum em suporte com dois módulos soltos. O que não pode é a ponte passar por fio fino ou ficar mal presa: o ponto fica quente e vira o elo fraco do circuito. Em ambos os casos, fase, neutro e terra precisam estar cada um no seu terminal, sem cruzar.
Passo a passo do que o eletricista faz
A troca envolve mexer em condutores. Esta é a sequência para você acompanhar:
- Identifica o circuito da tomada e desliga o disjuntor correspondente no quadro. Se não consegue identificar, desliga o geral.
- Confirma que o circuito está sem energia, por meio de um aparelho ligado em outra tomada do mesmo circuito, que deve parar de funcionar.
- Retira a placa e o módulo da tomada simples e anota a posição de fase, neutro e terra.
- Verifica o estado do fio: isolação ressecada, ponta escurecida ou fio curto demais pedem emenda ou troca de trecho.
- Monta os dois módulos no suporte e faz a ponte da maneira adequada.
- Fixa o suporte, instala a placa e religa o disjuntor.
- Testa os dois módulos com um aparelho leve e observa se há aquecimento depois de alguns minutos.
Caixa 4x2 e espaço para os fios
A caixa padrão de parede é a 4x2, e ela comporta o suporte com dois módulos. O que costuma faltar é espaço interno: o fio dobra, a emenda aperta, e o módulo fica forçado. Quando a caixa é rasa ou já abriga fios de passagem, o eletricista pode substituir por uma mais funda ou usar uma caixa 4x4 com placa adequada. Fio espremido atrás da tomada é causa conhecida de mau contato e aquecimento.
Ponto fixo ou adaptador no uso diário
O benjamim (ou adaptador T) multiplica os pontos num único módulo. O contato fica frouxo, o peso do plugue puxa o conjunto e a tomada esquenta. A tomada dupla fixa tem um contato firme para cada plugue. É um ganho real de segurança, desde que a soma dos aparelhos caiba no circuito. Trocar o benjamim por uma dupla não permite ligar mais carga: a sobrecarga fica só mais bem apresentada.
Quando o circuito precisa ser dividido
Se a ideia é ligar aparelhos potentes juntos, como ferro, micro-ondas, forno elétrico e secador de cabelo, a tomada dupla não resolve. Nesse caso o eletricista avalia se vale criar um circuito novo, com disjuntor próprio, só para a área de maior uso, como a cozinha.
Tomada dupla e tomada com USB
Algumas placas duplas já trazem saída USB. Elas funcionam bem para carregar celulares, mas têm um conversor interno que também esquenta e envelhece. Verifique se o modelo informa a tensão de entrada compatível com a sua casa. Tomada com USB não muda a conta de carga do circuito, e como o conversor fica sempre ligado à rede, qualquer modelo de qualidade duvidosa vira ponto de aquecimento dentro da parede. Para uso comum, uma tomada dupla comum e um carregador de boa procedência são mais fáceis de substituir.
Quando chamar um técnico
Chame o eletricista se:
- O disjuntor desarma quando você liga dois aparelhos na tomada dupla.
- A tomada ou a placa esquenta, escurece ou derrete.
- O plugue fica frouxo e solta faísca.
- Os fios da caixa estão ressecados, escurecidos ou curtos demais.
- Você pretende usar dois aparelhos potentes ao mesmo tempo no mesmo ponto.
- Você não sabe qual disjuntor protege a tomada.
Na visita, pergunte qual é a bitola do fio do circuito, qual o valor do disjuntor e quantas outras tomadas dividem o mesmo circuito. Peça que ele diga qual a potência máxima que você pode ligar de uma só vez naquele ponto, para que a tomada dupla não vire sobrecarga fixa.